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Universidade privada e ascensão social

A Uniban se viu envolvida em um espetáculo midiático. Quero aqui refletir sobre alguns aspectos ligados à missão social da instituiçãoELLIS WAYNE BROWNNA SOCIEDADE atual, determinados casos se espetaculizaram e se desvirtuam em relação à verdade e ao seu contexto. A liberdade de expressão, uma das maiores conquistas democráticas, alimenta também um palco de interesses oportunistas. O método democrático, por excelência, é o do diálogo equilibrado e do respeito consciente, e não o da semeadura conflituosa e depreciativa. A Uniban Brasil, uma das maiores universidades do país, se viu recentemente envolvida em um desses espetáculos midiáticos, sem a menor consideração pela sua contribuição social, pela sua trajetória, pelo empenho de 60 mil alunos que frequentam suas unidades e pela qualificação e dedicação de seus docentes. Em razão disso, quero refletir com os leitores da Folha sobre alguns aspectos relacionados à missão social da nossa instituição, que contempla quatro dimensões: a) acessibilidade dos estratos sociais emergentes; b) valor formativo agregado; c) oportunidade de ascensão social; e d) desenvolvimento sustentado do país. A dimensão da acessibilidade é constituída por três variáveis: a) a disponibilidade de vagas; b) o resgate do hiato formativo trazido do ensino básico; e c) a viabilidade financeira. A iniciativa privada responde hoje por 80% das vagas oferecidas na educação superior. Sem essa oportunidade, boa parte da população brasileira estaria excluída desse direito social. Por outro lado, os estratos emergentes vêm inadequadamente formados do ensino básico público. Exigir um nível de qualificação de ingresso igual ao do ensino superior público -que atende, paradoxalmente, às elites egressas do ensino básico privado- significa alijar esses alunos da oportunidade de novos caminhos.
É preciso garantir acessibilidade financeira, o que implica racionalizar o custo dos meios educacionais a fim de manter preços viáveis para essa população de menor renda. A dimensão do valor agregado contempla a diferença entre o nível de formação de ingresso do aluno no ensino superior e o de saída, ao término de seus estudos. O ensino superior privado, dados os níveis de qualificação dos ingressantes, precisa gerar maior valor agregado do que o ensino público para atingir um mesmo nível de qualificação final. Já aí, o setor privado se encontra em desvantagem com relação ao ensino superior público. Isso se agrava devido ao fato de que, para pagar seus estudos, o aluno do ensino superior privado normalmente precisa trabalhar e, assim, dispõe de menos tempo e energia para se dedicar aos estudos, à pesquisa e às atividades complementares.
Enquanto o aluno do ensino superior público custa ao contribuinte, em média, R$ 25 mil/ano, a Uniban possibilita acesso ao custo médio de R$ 4.000. Tivesse os mesmos recursos, geraria um nível de qualificação superior às instituições públicas, já que o empreendedorismo tem natureza mais criativa, racional e objetiva.
A educação superior não se apresenta como fim em si mesmo. Para uma parte substantiva das pessoas, constitui o primeiro degrau da  ascensão social e melhoria das condições de vida, possível somente pelo do ensino privado. Cada degrau seguinte se vê ligado ao esforço e aprimoramento de cada um diante das demandas competitivas do mercado. Agora, denegrir sua origem é a mais perversa das discriminações. É claro que as utopias da qualidade absoluta na educação devem ser perseguidas dentro de um processo de avaliação e melhoria constantes, porém sempre contextualizadas, preservando e promovendo o direito e a oportunidade de acesso como condição inicial. Sem a compatibilização com o acesso, o discurso da qualidade se torna elitista e contraditório no tocante à ascensão social. A educação contribui para o desenvolvimento sustentado do país por meio da formação de capital humano. É pela educação que se produz e se amplia a qualificação da força de trabalho que sustenta o crescimento e as oportunidades de inclusão. É no âmbito do desenvolvimento sustentado que a educação adquire caráter coletivo e contribui socialmente. Ilhas de excelência não geram, de forma isolada, o desenvolvimento sustentado, condicionado também à capacidade coletiva para o trabalho e o exercício da cidadania. Quanto maior e maisqualificada for sua base de sustentação, maiores serão a capacidade competitiva do país e o seu desenvolvimento. A Uniban está perfeitamente consciente de seu papel e de sua contribuição social e conclama a opinião pública e seus líderes para uma discussão mais profunda sobre o mérito do ensino superior privado no país.


Folha de São Paulo, 03/12/2009 - São Paulo SP

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