Ouça nosso boletim

Sobram vagas e faltam profissionais

Engenheiros de todas as áreas são os mais cotados e contingente que se forma anualmente é insuficiente para atender demanda.

Vanessa Jacinto


O Brasil vai ter que deixar um pouco de lado sua vocação para a formação humanista e passar a investir mais na educação para o desenvolvimento da ciência, se quiser suprir a demanda do mercado de trabalho por profissionais das engenharias. Segundo os especialistas, os cerca de 25 mil engenheiros formados todos os anos no país não são suficientes para atender as necessidades das empresas e o déficit, hoje estimado em 25 mil profissionais, pode ficar ainda maior se o Brasil mantiver as expectativas de crescimento econômico de 5% ao ano. “Como estamos concentrando mais investimentos em infraestrutura, os engenheiros, de qualquer área, são os profissionais mais cotados atualmente. Sobram vagas e faltam profissionais”, afirma a consultora de RH Jacqueline Alves de Souza.

Para Celso Peixoto Garcia, diretor do Instituto Politécnico do Centro Universitário UNA, durante muito tempo o Brasil investiu pouco em infraestrutura e acabou desviando parte do contingente de engenheiros para funções nas áreas de administração e economia. Agora, diante de um novo cenário econômico, ele considera que está havendo uma verdadeira crise de carência desses profissionais.

E o problema não está apenas no nível da graduação. Segundo a Federação Nacional dos Engenheiros, dos 10 mil doutores formados todo ano, só 13% são das engenharias. No mestrado, os engenheiros somam apenas 11,6% de um total de 30 mil alunos. Se a carência de profissionais se mantiver, Celso acredita que teremos que fazer como os Estados Unidos, que, atualmente, importam da Índia nada menos que 30% dos engenheiros que precisa contratar. “Há uma grande discrepância. Na Coreia do Sul, onde a população corresponde a um terço da nossa, são formados 85 mil engenheiros por ano. É mais uma evidência de que estamos muito aquém da real necessidade de mercado”, diz. O engenheiro civil Paulo Henrique Pechir Araújo, de 35 anos, é um dos que sente na pele tanto a carência de profissionais quanto a valorização das engenharias. Há 10 anos, quando se formou, o mercado estava começando a se aquecer para os engenheiros e ele, com experiência diversificada, acabou tendo a oportunidade, cinco anos depois de formado, de se tornar sócio da empresa na qual se tornou responsável pelo setor de construção civil. “É muito difícil encontrar profissionais da área e outro grande gargalo reside na falta de qualificação. Aqui, um bom engenheiro vale ouro e as contratações ocorrem todo mês”, afirma. Segundo Jacqueline, de fato, a engenharia civil é uma das que oferecem maior número de oportunidades. Ela vem seguida pela mecânica e as ligadas à energia e meio ambiente. Além de variado, o leque de opções para especialização não para de crescer. E o número de ofertas de vagas também não.


Estado de Minas, 02/05/2010 - Belo Horizonte MG.

	Array
(
    [0] => No page with id root
)