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RECONHECIDA FRAUDE NA CONTRATAÇÃO DE TRABALHADOR COMO EMPREGADO E AUTÔNOMO AO MESMO TEMPO

 

RECONHECIDA FRAUDE NA CONTRATAÇÃO DE TRABALHADOR

COMO EMPREGADO E AUTÔNOMO AO MESMO TEMPO

Em julgamento recente, a 6a Turma do TRT-MG considerou inaceitável a situação de um

trabalhador que recebia da mesma instituição de ensino, parte do pagamento por trabalho

prestado como pessoa jurídica e parte pelo contrato como pessoa física. Até porque as

funções eram realizadas de forma pessoal. Com esse entendimento, a Turma decidiu que a

contratação do trabalhador, por meio de sua empresa para a prestação de serviços de

coordenação de pós-graduação, paralelamente às atividades de professor, estas realizadas

na condição de empregado, caracteriza fraude. Por isso, manteve a sentença que

reconheceu o vínculo de emprego e condenou a faculdade reclamada ao pagamento de

diferenças salariais.

A instituição de ensino reclamada não concordou com a decisão de 1o Grau, insistindo na

tese de que há duas relações diversas entre as partes. Em uma delas, o trabalhador era

empregado e atuava como professor de graduação. Na outra, ele prestava os serviços de

coordenador de pós-graduação, por meio de sua empresa, de forma autônoma e eventual.

Mas, ao analisar o processo, o desembargador Anemar Pereira Amaral deu outra

interpretação aos fatos. Já que não houve discussão quanto à prestação de serviços na

função de coordenador, a presunção é de que existiu aí uma relação de emprego. E a

reclamada não demonstrou o contrário.

O relator esclareceu que o fato de o trabalhador possuir grande autonomia para exercer a

função de coordenador é próprio da atividade e não equivale, de forma alguma, à ausência

de subordinação. Aliás, destacou o magistrado, a subordinação dos trabalhadores

intelectuais caracteriza-se muito mais pela inserção do empregado na dinâmica da atividade

produtiva do empregador do que pela obediência a ordens. E é o caso, pois o reclamante foi

contratado para coordenar dois cursos do núcleo de pós-graduação. Ou seja, trata-se de

função inseparável das atividades fins da instituição de ensino.

O artigo 207 da Constituição Federal determina às universidades que obedeçam aos

princípios da indissociabilidade entre pesquisa, ensino e extensão. Dessa forma, a existência

de dois contratos, um de emprego, para ministrar aulas na graduação, e outro civil, para

exercer as atividades de coordenação da pós-graduação, já é sinal de fraude. Para o

desembargador, ela fica evidente diante da constatação de que a empresa, da qual o

reclamante era sócio, tinha como objetivo social a exploração do ramo de construção civil.

“Nesse contexto, é de se manter o reconhecimento do vínculo de emprego do autor, na

função de coordenador de pós graduação, como procedido pela r. sentença” - finalizou.

(Proc. nº 01662-2009-007-03-00-1 com informações do TRT-MG e da redação do Espaço

Vital)

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