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Pais vão à Justiça para suspender Enem

Temor é de desempenho ruim dos alunos por causa da greve na rede estadual. Outra dúvida é sobre a reposição das aulas

Amanda Almeida


A Federação das Associações de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg) deve pedir à Justiça a suspensão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “O desempenho dos estudantes mineiros está comprometido pela greve dos professores, que já dura mais de 30 dias. Queremos o adiamento do exame até que se corrija o déficit curricular em relação ao resto do Brasil”, diz o presidente da Fapaemg, Mário de Assis. Hoje, às 14h, os grevistas se reúnem na Praça da Assembleia, na Região Centro-Sul, para decidir o futuro do movimento. O secretário adjunto de Estado de Educação, João Antônio Filocre, encontrou-se na manhã de ontem com representantes da Fapaemg. Segundo Mário de Assis, ele disse que o governo de Minas só negocia com os professores, quando eles voltarem às salas de aula. "Não estamos do lado de um nem de outro. Só fomos apelar por alguma providência pelo fim do movimento. O secretário nos mostrou documentos com a exoneração de alguns grevistas e disse que, se a categoria acabar com a paralisação, as negociações serão retomadas. Falamos a ele sobre o temor dos pais em relação ao Enem”, relata Assis. A Fapaemg questionou também ao secretário como será feita a reposição das aulas perdidas. "É ano de Copa do Mundo. Estamos preocupados com os recessos por conta dos jogos. Queremos que a reposição ocorra em janeiro. Não dá certo fazê-la nos sábados", acrescenta Mário de Assis. Na Justiça, a federação pretende pedir que o Enem seja depois desse período. Para uma das diretoras do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação em Minas Gerais (Sind-Ute-MG), Mônica Maria de Souza, não haverá relação entre a greve dos professores e o desempenho dos estudantes no exame. "Com greve ou sem greve, o resultado será o mesmo. Para discutir Enem é necessário avaliar a qualidade do ensino em Minas. Se os pais estão preocupados com o exame, devem cobrar professores bem preparados e remunerados decentemente nas salas de aula”, diz.

PANFLETOS Cerca de 50 professores distribuíram panfletos ontem na Praça Sete de Setembro, no Centro da capital, e em várias cidades do estado. "Vim mostrar, com certa vergonha, meu contra-cheque para a população. Com 13 anos de rede estadual, recebo apenas R$ 639 por 24 aulas semanais. Nos panfletos, há vários exemplos de colegas que recebem até menos. É vergonhoso", relata Diliana Márcia Lisboa, de 42 anos.

A Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas (Ames-BH) também participou da panfletagem. “A causa dos professores é muito justa. Como é possível um profissional tão importante para a formação de milhões de pessoas ser tão mal remunerado? É inaceitável. A discussão sobre Enem e vestibular é outra e não tem nada a ver com a greve”, defende a tesoureira da Ames-BH, Maria Luiza Anália da Silva. Segundo o Sind-Ute-MG, 60% da rede estadual aderiu à greve. A Secretaria de Estado de Educação (SEE) disse que não divulgará balanço sobre a paralisação. O governo alega que não pode conceder reajuste maior que os 10%, aprovados pela Assembleia Legislativa em março, para o conjunto do funcionalismo público. Já o Sind-Ute diz que a evolução da receita do estado permite a implantação do piso salarial de R$ 1.312, reivindicado pela categoria. Segundo o sindicato, professor com nível médio recebe R$ 369,89.

Fonte: Estado de Minas, 11/05/2010 - Belo Horizonte MG.

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