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Pais devem incentivar autonomia nas lições

Pesquisa mostra que 65% acompanham o dever de casa dos filhos; educadores alertam que apoio familiar não pode substituir a escola.

Quem é pai ou mãe sabe como é difícil ficar indiferente quando o filho vem cheio de dúvidas sobre a lição de casa. Há aqueles que, quando dominam o assunto estudado, tendem a bancar o professor particular.
Outros têm de se segurar para não fazer a tarefa pela criança. A importância do envolvimento paterno na vida escolar é consenso entre educadores. Mas até que ponto essa interferência é benéfica? "O ideal é que o pai dê subsídios para que a criança possa resolver a questão e saia de cena. É preciso estimular a autonomia", afirma Silvia Colello, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Uma pesquisa divulgada na semana passada pelo movimento Todos Pela Educação revelou que 65% dos pais nas regiões metropolitanas acompanham com frequência a realização da lição de casa. Foram ouvidas 1.350 pessoas nos Estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal.
"Quando a criança chega com a lição perfeita porque o pai ou a mãe corrigiu, o professor perde a noção de quanto ela de fato aprendeu e do quanto precisa ser retomado", explica Silvia. Para ela, a lição tem três papéis principais: exercitar uma competência que foi dada em aula, estimular hábitos de leitura e aprofundar um tema estudado por meio de pesquisa. A especialista em práticas do ensino Neide Noffs, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, concorda. "A lição é um exercício de revisão", diz. Neide admite que é difícil ver um erro e deixar passar, mas aconselha que o pai tente ajudar a criança a chegar sozinha na resposta certa. "Se o filho não conseguir, a dúvida deve ser devolvida à escola".Edimara de Lima, coordenadora pedagógica da escola Prima Montessori, acredita que o principal papel dos pais é apoiar a criança nos treinos de leitura. "Até que ela se torne um leitor fluente e tome gosto pela atividade é fundamental o apoio da família", diz. Ela recomenda que os pais leiam em voz alta, enquanto a criança acompanha o texto com os olhos.
A psicóloga Renata Rubano, de 44 anos, recorreu a essa técnica quando o filho João, de 12 anos, demonstrou dificuldades. "Ele fugia dos livros. Então resolvi ler junto até que ele começasse a gostar da história. Alguns capítulos ele tinha de ler sozinho e me contar. Deixou de ser uma atividade solitária". Como trabalha o dia inteiro, Renata sempre acompanhou de longe a vida escolar de João e Helena, de 9 anos.
"Não ajudo na lição, mas fico de olho para ver que tipo de dificuldades eles têm e para avaliar a escola". DICAS - Tarefas: nunca antecipe a resposta correta de uma questão. Dúvidas: se a criança não souber resolver um exercício, tente explicar de forma diferente, para que ela o solucione sozinha. Espaço: ajude a organizar um local e horário para o estudo. Pesquisas: mostre livros ou sites em que a criança pode encontrar sozinha o conteúdo. Leitura: ajude seu filho a criar o hábito lendo textos para ele.

Fonte: O Estado de São Paulo.

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